Geely EX2 será feito pela Ford na Europa enquanto mira produção no Brasil
Acordo na Espanha para produzir compacto elétrico reforça planos globais da Geely e sua nacionalização no PR
A Ford está em negociações avançadas para transformar sua histórica fábrica de Almussafes, em Valência, no novo polo de produção do Geely EX2 na Europa. O movimento estratégico visa abastecer o mercado europeu com o compacto elétrico, conhecido por lá como E2, e marca uma colaboração inédita entre a gigante americana e o grupo chinês.
Para quem acompanha o setor, o anúncio carrega um peso histórico: a mesma unidade que por décadas deu vida ao lendário Ford Fiesta agora será o berço de um hatch elétrico chinês projetado para enfrentar nomes como o novo Renault 5 e o Citroën ë-C3.
O acordo mostra que a Geely acelerou sua expansão global para contornar as barreiras tarifárias impostas aos veículos fabricados na China. Ao ocupar a planta espanhola, a marca garante uma base logística privilegiada e aproveita a expertise de uma força de trabalho acostumada com a produção de hatches de alto volume.
Para a Ford, o contrato representa um alento operacional para uma unidade que hoje produz apenas o Kuga e sofria com a incerteza sobre seu futuro elétrico, que segue indefinido pelas decisões da matriz em Detroit.
Galeria: Geely EX2 Max 2026
Esse Geely EX2 que ganhará cidadania espanhola é o mesmo modelo que já se tornou peça central da marca no Brasil. Com 4,14 metros de comprimento, o carro ocupa o "ponto doce" do mercado nacional, posicionando-se como uma alternativa robusta aos subcompactos elétricos.
Construído sobre a plataforma GEA, ele entrega um conjunto equilibrado com bateria de 39,4 kWh e autonomia real na faixa de 350 km. Além do bom acabamento interno, o modelo conquistou o público brasileiro por soluções práticas, como o porta-malas de 375 litros e o frunk dianteiro, raridade em carros dessa categoria.
Geely: desembarque de carros elétricos em Paranaguá
Trazer o contexto da produção europeia para a realidade brasileira é fundamental porque reforça que o EX2 não é um projeto passageiro. O fato de ele ser validado para uma linha de montagem da Ford na Europa dá um selo de maturidade ao produto que pavimenta, definitivamente, o caminho para sua nacionalização por aqui.
A Geely já deixou claro que o Brasil é uma das suas maiores apostas fora da Ásia, e a estratégia de utilizar a estrutura logística da Renault em São José dos Pinhais (PR) para o desembarque de milhares de unidades foi apenas o primeiro passo de um plano industrial mais amplo.
Geely EX2 inicia produção fora da China
Tudo indica que o EX2 seguirá os passos do SUV EX5 e terá sua produção estabelecida no Complexo Ayrton Senna, no Paraná, até o final de 2026 ou início do ano seguinte. A lógica é comercial e industrial: se a Geely consegue viabilizar a fabricação sob contrato na Espanha, a parceria local com a Renault é o cenário ideal para que o hatch deixe de ser um importado refém das variações cambiais.
O recente desembarque recorde de mais de 3,3 mil unidades de elétricos da Geely em Paranaguá serviu como o teste final de demanda. O consumidor brasileiro já aceitou o produto, e agora o próximo passo natural é que o EX2 troque o passaporte de importado pela certidão de nascimento brasileira, o que não deve demorar muito.
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