ABEIFA vê impacto limitado do imposto de 35% nos preços de eletrificados
Entidade diz que concorrência e estoques devem reduzir efeito do imposto sobre importados
A entrada em vigor da alíquota de 35% do Imposto de Importação para veículos eletrificados completos, desde 1º de julho, não deve resultar em um aumento proporcional dos preços ao consumidor. A avaliação é da Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa), entidade que reúne marcas como BYD, Volvo, Kia, Porsche, Land Rover, Denza e JAC, entre outras.
Durante coletiva realizada nesta terça-feira (14), o presidente da Abeifa, Marcelo Godoy, afirmou que a concorrência cada vez mais acirrada entre as fabricantes deverá impedir que o aumento do tributo seja integralmente repassado aos consumidores.
"A gente não vê um repasse de 15% a 18% no preço final. Se você olhar os últimos anos, o repasse nunca foi de um para um. E a gente entende que não vai acontecer agora."
Segundo Godoy, um reajuste equivalente ao aumento da alíquota comprometeria a competitividade das empresas em um mercado que vive forte disputa por participação.
"O mercado está super competitivo. Você não pode descalibrar isso. Se repassar de um para um o aumento de preço, você acaba afetando a demanda."
Na avaliação da entidade, as montadoras terão de buscar alternativas para reduzir o impacto do imposto, como negociações com fornecedores, ganhos de eficiência e absorção de parte dos custos.
"O cliente não pode ser impactado por isso. Foi uma decisão de governo, e os executivos têm que achar uma solução para que o impacto para o cliente final seja o menor possível."
A Abeifa também confirmou que as fabricantes anteciparam importações antes da entrada em vigor da nova alíquota, estratégia que deve ajudar a reduzir os efeitos imediatos sobre o mercado.
"Esse movimento foi feito não só pelas associadas, mas por todo mundo."
Galeria: BYD - linha 2026 na concessionária (BR)
Segundo Godoy, os estoques formados antes de julho devem garantir abastecimento por vários meses.
"Tem aí alguns meses de estoque para fazer frente a esse segundo semestre."
O presidente da entidade destacou ainda que o cronograma de recomposição do imposto foi mantido conforme anunciado anteriormente pelo governo, permitindo que as empresas se preparassem para a mudança.
"O que foi decidido lá atrás foi colocado em prática exatamente da forma que foi escrita. Todo mundo pôde se programar. Isso é importantíssimo para o país."
Primeiro semestre cresce 85%
A Abeifa também apresentou o desempenho do primeiro semestre de 2026. As marcas associadas emplacaram 111.120 automóveis e comerciais leves, crescimento de 85,1% sobre o mesmo período do ano passado.
Desse total, 105.982 unidades foram veículos eletrificados, alta de 90,8% na comparação anual. Segundo a entidade, os modelos 100% elétricos ganharam participação dentro do segmento, enquanto os híbridos plug-in seguem com forte aceitação entre os consumidores.
A BYD continuou concentrando a maior parte das vendas da associação, com 99.064 unidades emplacadas entre janeiro e junho, seguida por Volvo (3.978), Kia (2.846), Porsche (2.206), Denza (1.352) e Land Rover (1.340).
Para o mercado brasileiro como um todo, a Abeifa mantém a projeção de aproximadamente 3 milhões de automóveis e comerciais leves vendidos em 2026, o melhor resultado em mais de uma década, e avalia que a eletrificação continuará impulsionando o crescimento do setor no segundo semestre.
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