Ir para o conteúdo principal

Impressões: Leapmotor B10 tem DNA Stellantis e foco em dirigibilidade

SUV elétrico aposta em equilíbrio, bom acabamento e calibração da Stellantis para enfrentar rivais no Brasil

Leapmotor B10 2026
Foto de: Leapmotor

O Leapmotor B10 chega ao Brasil ampliando a linha da marca em um ponto bem específico do mercado: onde realmente existe volume. Depois do C10, que cumpre mais um papel de posicionamento e imagem, o B10 entra no jogo de verdade. É o carro que precisa vender.

E não chega sozinho nem com caminho livre. Vai encarar um cenário onde nomes como BYD, GAC e até a própria Geely já entenderam como jogar no Brasil. A diferença aqui é outra: o B10 traz no pacote algo que poucos rivais conseguem replicar: a mão da Stellantis no desenvolvimento. Isso não resolve tudo, mas ajuda muito.

O que é?

O B10 é um SUV médio elétrico que se posiciona exatamente onde está o maior volume do mercado brasileiro. Com cerca de 4,5 metros de comprimento e entre-eixos próximo dos 2,7 metros, ele ocupa o mesmo espaço de modelos como Jeep Compass e Toyota Corolla Cross. Já dá para perceber com quem ele está mexendo.

Leapmotor B10 2026

Leapmotor B10 2026

Foto de: Leapmotor

Por isso mesmo, esse porte se traduz em um bom espaço interno para os ocupantes, principalmente nos bancos traseiros. Por outro lado, o porta-malas entrega acanhados 365 litros, um volume baixo para o segmento que atua. Vale lembrar da possibilidade de expansão para mais de 1.400 litros com os bancos rebatidos e também do compartimento frontal adicional que ajuda na rotina. 

Leapmotor B10 2026
Foto de: Leapmotor

O interior segue uma linha minimalista, com botões físicos apenas no volante e forte dependência da central multimídia de 14,6 polegadas. O ambiente é limpo, organizado e com boa qualidade percebida, com materiais agradáveis ao toque e montagem consistente. Ao mesmo tempo, essa escolha pode não agradar todo mundo. Parte do consumidor começa a voltar a valorizar comandos físicos para funções básicas, e aqui praticamente tudo passa pela tela.

Leapmotor B10 2026

Interior do Leapmotor B10 2026

Foto de: Leapmotor

A multimídia funciona bem. É rápida, fluida e fácil de entender, muito por conta do chip Snapdragon que garante processamento eficiente. Na prática, isso evita frustrações comuns em sistemas mais lentos. Ainda assim, a necessidade constante de interação com a tela pode cansar no uso diário.

Leapmotor B10 2026
Foto de: Leapmotor

Já o conjunto elétrico entrega 218 cv com tração traseira e bateria de 56,2 kWh. Não são números de destaque absoluto dentro da categoria, mas também não comprometem. O posicionamento é claro: um carro equilibrado, sem foco em extremos.

Como anda?

Ao volante, o B10 mostra rapidamente que o foco é manter o equilíbrio e confiança. A aceleração é progressiva, com entrega linear de potência, o que torna o carro mais previsível e fácil de conduzir no dia a dia. Ele responde bem, mas sem exageros.

Leapmotor B10 2026
Foto de: Leapmotor

O 0 a 100 km/h, segundo a Leapmotor, em cerca de 8 segundos está dentro do esperado para o segmento, mas o mais relevante é a forma como ele constrói velocidade. Não há picos abruptos nem comportamento artificialmente agressivo. É um carro que prefere ser consistente do que chamativo.

Leapmotor B10 2026
Foto de: Leapmotor

O nível de ruído é baixo e o isolamento acústico cumpre bem o seu papel. A experiência ao volante é silenciosa e confortável, sem vibrações incômodas. Até aqui, segue o padrão esperado para um elétrico moderno.

Leapmotor B10 2026
Foto de: Leapmotor

A suspensão é onde o B10 realmente começa a se diferenciar. O acerto mais firme transmite mais controle de carroceria e maior segurança em curvas e mudanças de direção. Esse comportamento tem relação direta com o trabalho da engenharia da Stellantis, que participou da calibração com foco no uso brasileiro.

Leapmotor B10 2026
Foto de: Leapmotor

O resultado é um carro que passa mais confiança ao motorista. Não é esportivo, mas também não tem aquela sensação excessivamente macia que aparece em alguns rivais. Existe um equilíbrio que favorece o uso real.

A possibilidade de personalização reforça essa experiência. Ajustes de direção, acelerador e assistentes permitem configurar o carro de forma mais próxima ao gosto de quem dirige. Pode parecer detalhe, mas faz diferença no dia a dia.

Elétrico na prática

O conjunto elétrico do B10 funciona bem dentro da proposta, mas aqui aparecem diferenças importantes na comparação com alguns rivais diretos. A bateria de 56,2 kWh garante autonomia de 288 km no padrão Inmetro, número que fica abaixo de concorrentes que já avançaram mais nesse ponto.

Leapmotor B10 2026
Foto de: Leapmotor

No uso urbano, isso não chega a ser um problema. O carro atende bem à rotina. Mas em viagens ou deslocamentos mais longos, exige planejamento maior e atenção à infraestrutura disponível, no entanto, a gente sabe que é possível ir além do que o Inmetro diz.

Na recarga, o modelo aceita até 11 kW em corrente alternada, o que atende bem ao uso residencial. Em corrente contínua, suporta até 140 kW, com tempo estimado de 30% a 80% em cerca de 16 minutos em condições ideais.

Leapmotor B10 2026
Foto de: Leapmotor

Quanto custa?

O Leapmotor B10 chega ao Brasil com preço público de R$ 182.990, com campanha de lançamento que oferece bônus de R$ 7.000 na troca, reduzindo o valor para cerca de R$ 175.990. Isso o posiciona em uma faixa onde a concorrência é intensa e o consumidor tende a comparar muito mais do que antes.

Em relação ao pacote de assistências à condução, o B10 traz uma ampla lista e já se posiciona no nível 2 de automação. Na prática, o B10 possui controle de cruzeiro adaptativo com manutenção de distância, assistente de centralização em faixa, sistema de permanência e correção de trajetória, além de frenagem autônoma de emergência e alerta de colisão frontal. Soma-se a isso o monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro com frenagem, aviso de colisão traseira e assistente para trânsito intenso, que combina aceleração, frenagem e direção em situações de baixa velocidade.

Leapmotor B10 2026
Foto de: Leapmotor

O conjunto inclui ainda reconhecimento de limites de velocidade, monitoramento de fadiga e atenção do motorista por câmera, alerta de abertura de portas em situações de risco e detecção de mãos no volante. Na prática, ao menos nesse primeiro contato, os sistemas mostraram atuação consistente e previsível, sem intervenções bruscas ou alertas irritantes e persistentes. Isso vale nota, pois acontece muito em veículos chineses, mas aqui já temos mais uma boa indicação de um trabalho de calibração mais cuidadoso, possivelmente já refletindo a influência da engenharia da Stellantis.

Leapmotor B10 2026
Foto de: Leapmotor

A lista de equipamentos ainda possui sete airbags, teto panorâmico, carregador por indução e chave digital. Por outro lado, algumas ausências chamam atenção. Os bancos não contam com ajuste elétrico e a tampa do porta-malas não tem abertura automática, itens que já aparecem em rivais diretos e ajudam na percepção de sofisticação. Não comprometem o uso, mas pesam na comparação.

Vale a pena?

O Leapmotor B10 chega ao Brasil com uma proposta clara e um nível de maturidade acima do esperado para uma marca ainda em expansão. A influência da Stellantis aparece no acerto dinâmico e na forma como o carro se comporta no uso real.

Leapmotor B10 2026
Foto de: Leapmotor

O que você pensa sobre isso?

Ele acerta na dirigibilidade, na usabilidade da tecnologia e na coerência do conjunto. Ao mesmo tempo, enfrenta um cenário onde a concorrência já evoluiu em pontos importantes, especialmente autonomia e conveniência.

No fim, o B10 se posiciona como um produto equilibrado, mas o seu principal trunfo não é nem os seus atributos, mas o guarda-chuva da Stellantis e seu conhecimento de mais de 50 anos de Brasil (considerando todas as marcas). Isso vai fazer diferença em garantir confiança de atendimento, suporte, peças e pós-venda. É algo que as outras não vão ter.