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Motores dos EREVs podem exigir troca de óleo só a cada 3 anos ou 30.000 km

Motores dos elétricos com extensor de alcance operam menos tempo, reduzindo a necessidade de manutenção

Xpeng G7 EREV
Foto de: Xpeng

Os carros elétricos com extensor de autonomia (EREV) surgiram para combinar a experiência de condução de um veículo elétrico com a praticidade de um motor a combustão capaz de gerar energia quando a bateria está descarregada. Agora, uma nova tendência mostra que essa arquitetura também pode reduzir significativamente a necessidade de manutenção.

Fabricantes chinesas como Li Auto e Xiaomi passaram a ampliar o intervalo para troca do óleo do motor-gerador para até três anos ou 30 mil quilômetros. A mudança é resultado não apenas da evolução dos lubrificantes, mas principalmente da forma como esse tipo de motor trabalha.

O motor não movimenta as rodas

Ao contrário dos híbridos convencionais e de muitos híbridos plug-in, o motor a combustão de um EREV não está conectado às rodas. Sua única função é acionar um gerador que produz eletricidade para alimentar a bateria ou os motores elétricos.

Na prática, quem movimenta o veículo são sempre os motores elétricos. O propulsor a combustão entra em funcionamento apenas quando o sistema identifica necessidade de gerar energia, normalmente em viagens mais longas ou quando o nível de carga da bateria fica baixo. Essa diferença muda completamente as condições de trabalho do motor.

Galeria: SkyNomad N90 (Xiaomi)

Menos esforço, menos desgaste

Em um carro convencional, o motor precisa responder constantemente às acelerações do motorista. Em poucos segundos, ele pode sair da marcha lenta para rotações elevadas, variar carga diversas vezes e operar em condições muito diferentes ao longo de uma viagem.

Nos EREVs acontece o oposto. Como não precisa acompanhar diretamente a velocidade do veículo, o motor-gerador pode permanecer durante boa parte do tempo em poucas faixas de rotação previamente definidas pela engenharia, justamente onde apresenta maior eficiência térmica e menor consumo de combustível.

GAC Hyptec HL EREV
Foto de: GAC

Essa operação mais estável reduz variações bruscas de carga, vibração e esforço mecânico. Além disso, o motor permanece desligado durante grande parte do uso urbano, entrando em funcionamento apenas quando realmente necessário.

Embora isso não signifique automaticamente maior vida útil do conjunto, as condições de operação tendem a ser mais favoráveis do que as enfrentadas por um motor de combustão instalado em um automóvel convencional.

Leapmotor C10 Ultra-Híbrido REEV

Leapmotor C10 Ultra-Híbrido REEV

Foto de: Leapmotor

Óleo dura mais

Esse cenário ajuda a explicar por que algumas fabricantes começaram a ampliar os intervalos de manutenção desses motores. 

A Li Auto anunciou que seus novos modelos passarão a utilizar monitoramento inteligente da vida útil do óleo, eliminando a necessidade de uma troca inicial obrigatória. A recomendação passa a ser de três anos ou 30 mil quilômetros entre as substituições do lubrificante.

Acionamento direto Horse Powertrain X-Range C15

Propulsão direta Horse Powertrain X-Range C15

Foto de: HORSE Powertrain

A Xiaomi adotou estratégia semelhante em sua nova família de veículos com extensor de autonomia. Após a primeira revisão, prevista para um ano ou 10 mil quilômetros, as trocas de óleo também passam a ocorrer em intervalos de até três anos ou 30 mil quilômetros. Para isso, a empresa desenvolveu um lubrificante específico em parceria com a Shell.

Mais próximos dos elétricos

A mudança também faz parte de uma estratégia das fabricantes para aproximar os custos de manutenção dos EREVs aos dos carros elétricos puros.

O que você pensa sobre isso?

Como o motor a combustão funciona por períodos relativamente curtos e quase sempre nas condições ideais de eficiência, a necessidade de intervenções periódicas diminui. Isso reduz custos para o proprietário e reforça um dos principais argumentos dos EREVs: oferecer autonomia semelhante à de um veículo a combustão sem abrir mão da experiência de condução de um elétrico.

À medida que esse tipo de tecnologia ganha espaço na China e começa a chegar a outros mercados, a tendência é que intervalos maiores de manutenção se tornem cada vez mais comuns, refletindo uma arquitetura em que o motor a combustão deixa de ser protagonista e passa a atuar apenas como uma fonte auxiliar de energia.

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