Demanda reprimida: quantos eletrificados o Brasil pode vender em 2025?
Estudo revela que o Brasil tem potencial para quase triplicar as vendas de híbridos e elétricos
O mercado brasileiro de veículos eletrificados vive um momento de forte expansão, mas poderia crescer ainda mais. Segundo o estudo "Jornada de Compra de Veículos Eletrificados no Brasil", realizado pela Dados X para a Abeifa, o número de interessados supera — e muito — o volume atual de vendas. Ou seja, há uma grande demanda reprimida.
Os números de 2024 e o que ainda pode crescer
De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), foram emplacados 177.358 veículos eletrificados leves no Brasil entre janeiro e dezembro de 2024, um crescimento de 89% em relação a 2023 (quando foram vendidas 93.927 unidades).
Esse crescimento foi impulsionado por dois grupos em especial:
-
Veículos 100% elétricos (BEV)
-
Híbridos plug-in (PHEV)
Juntos, esses dois tipos representaram 71% do total de eletrificados vendidos em 2024, somando 125.624 unidades.
Mesmo com esse avanço histórico, o estudo da Dados X mostra que o Brasil poderia estar vendendo ainda mais — se algumas barreiras fossem eliminadas.
Quanto o país poderia vender?
Com base no comportamento atual de consumidores e suas intenções de compra, o estudo projeta três cenários de demanda mensal a partir do segundo trimestre de 2025:
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Cenário |
Vendas mensais estimadas |
Condições |
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Demanda espontânea |
25.000 |
Situação atual, sem estímulos adicionais |
|
Demanda amplificada |
29.000 |
Com incentivos em preço, entrada e financiamento |
|
Demanda maximizada |
33.000 |
Com incentivos máximos combinados (governo + mercado) |
Na melhor hipótese, isso representa 396 mil unidades por ano — mais que o dobro do recorde atual de 2024. Ou seja, o Brasil já tem mercado para acelerar a eletromobilidade, mas ainda não removeu os obstáculos certos para isso acontecer.
O que trava esse crescimento?
Mesmo com um público interessado e financeiramente pronto para comprar, fatores como preço, crédito e infraestrutura ainda pesam contra:
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Preço de aquisição elevado
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Financiamento com entrada alta e juros pouco atrativos
-
Rede de recarga pública insuficiente
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Desinformação e dúvidas sobre a tecnologia
Galeria: JAC e-JS1 concessionaria (BR)
Outro ponto apontado pelo estudo é o lado emocional da decisão. Muitos consumidores iniciam a jornada motivados, mas acabam desistindo por insegurança, falta de apoio familiar ou medo de fazer um investimento errado.
Quem forma essa demanda reprimida?
O público identificado é composto por 422 mil brasileiros com perfil financeiro ideal para adquirir um carro eletrificado. Eles estão majoritariamente na faixa dos 35 a 45 anos, são conectados, bem informados e buscam conteúdo digital para tomar decisões.
Os canais mais usados por eles na reta final da compra são:
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YouTube
-
Instagram
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Sites de montadoras
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Google
Ou seja, não falta interesse — falta conversão.
Como destravar esse potencial?
Para transformar essa demanda reprimida em vendas reais, o estudo recomenda:
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Reduzir preços com incentivos fiscais ou produção local
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Criar financiamentos mais acessíveis e com entrada facilitada
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Ampliar a infraestrutura de recarga
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Oferecer conteúdo informativo e confiável para combater inseguranças
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Criar mais oportunidades de test-drive e vivência com veículos eletrificados
A combinação desses fatores poderia aumentar a demanda mensal em até 32% já no primeiro trimestre de 2025, segundo o levantamento.
Conclusão
O Brasil fechou 2024 com números históricos para os eletrificados, mas ainda deixa milhares de vendas potenciais pelo caminho. Se houver ação coordenada entre montadoras, governo e setor financeiro, o país pode transformar essa demanda reprimida em crescimento real — e dar um salto rumo à eletromobilidade.
Fonte: Abeifa / X
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