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Eletropostos ganham força no Brasil e buscas crescem até 309%

Brasileiros pesquisam custo e instalação enquanto rede passa de 21 mil pontos

geely ex2 no ponto de recarga
Foto de: InsideEVs Brasil

A infraestrutura de recarga começa a ocupar um espaço cada vez maior nas buscas dos brasileiros. Um levantamento feito pela Descarbonize Soluções e baseado nas pesquisas online dos últimos 12 meses aponta crescimento de 309% para o termo “eletroposto”, enquanto “estação de recarga de veículos elétricos” avançou 235% e “carregadores carros elétricos”, 84%.

E não se trata apenas de procurar um lugar para conectar o carro. Entre as principais dúvidas estão perguntas sobre instalação, custo, funcionamento e até retorno financeiro de uma estação, justamente em um momento em que o Brasil amplia rapidamente sua rede de carregadores e os próprios donos de elétricos começam a cobrar uma experiência melhor.

Eletroposto Porsche-GreenV em Miracatu (SP)

Eletroposto Porsche-GreenV em Miracatu (SP)

Foto de: Divulgação

Busca por eletropostos cresce 309%

O termo “eletroposto” foi, de longe, o que apresentou a maior evolução no levantamento, com alta de 309%. “Estação de recarga de veículos elétricos” aparece logo depois, com 235%, enquanto as pesquisas por “carregadores carros elétricos” cresceram 84%.

As perguntas pesquisadas ajudam a entender de onde vem parte desse interesse. “Como montar um eletroposto?” aparece na primeira colocação, seguida por “quanto custa para montar um eletroposto?” e “como funciona um eletroposto?”. Na sequência estão dúvidas sobre como abrir uma estação, qual seu lucro, o que é um eletroposto, como encontrar um e, por fim, se esse tipo de instalação é um bom investimento.

O resultado mistura dois públicos diferentes. Há quem ainda esteja tentando entender como funciona a infraestrutura necessária para usar um carro elétrico, mas também aparece um interesse claro pela instalação de novos pontos, custos e viabilidade desse tipo de negócio.

Teste piloto de veículo para rede com o Porsche Taycan

Interesse cresce junto com a rede

Os números de buscas aparecem justamente quando a infraestrutura brasileira avança em ritmo acelerado. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e da Tupi Mobilidade mostraram que o país chegou a 21.061 pontos públicos e semipúblicos de recarga em fevereiro de 2026, contra 14.827 um ano antes, crescimento de 42%.

A maior mudança, porém, aconteceu entre os carregadores rápidos e ultrarrápidos em corrente contínua. Segundo a mesma base da ABVE e da Tupi, os pontos DC passaram de 2.430 para 6.479 em apenas 12 meses, alta de 167%, e já respondiam por 31% de toda a rede pública e semipública brasileira.

Os carregadores AC, mais comuns em estacionamentos e locais onde o veículo permanece parado por períodos maiores, passaram de 12.397 para 14.582 no mesmo intervalo, crescimento bem mais contido de 17,6%. A diferença mostra uma rede cada vez menos dependente apenas da recarga de destino e mais preparada para atender rodovias, viagens e usuários que precisam recuperar energia em menos tempo.

Naquela atualização, a ABVE contabilizava 411.869 elétricos e híbridos plug-in em circulação, o equivalente a 19,6 veículos para cada carregador público ou semipúblico. Davi Bertoncello, diretor de comunicação da entidade e sócio-fundador da Tupi Mobilidade, apontou uma relação próxima de dez carros por ponto como mais adequada para um mercado maduro, mostrando que ainda há bastante espaço para expansão.

Brasil ganha primeiro carregador ultrarrápido de 480 kW para EVs
Foto de: Pulso Comunica

Quem já usa quer menos complicação

O aumento da infraestrutura também começa a mudar as exigências de quem já dirige um elétrico. A Global EV Driver Survey 2025, divulgada pela GEVA, mostrou que 88% dos proprietários brasileiros consultados gostariam de pagar pela recarga diretamente no terminal usando cartão, sem depender de aplicativos.

Esse é hoje um dos pontos de atrito da recarga pública. Muitas operadoras exigem aplicativo próprio, cadastro e uma forma de pagamento registrada antes de liberar o carregador, o que pode obrigar o motorista a usar diferentes plataformas durante uma viagem. Por isso, mais carregadores e potências maiores resolvem apenas parte do problema: a experiência também precisa ser simples.

A pesquisa da GEVA mostra um motorista que já começa a esperar do eletroposto algo parecido com outros serviços: chegar, conectar, pagar e seguir viagem. É um estágio diferente daquele mostrado por perguntas como “o que é eletroposto?”, que ainda aparece entre as principais dúvidas do novo levantamento. Enquanto uma parcela dos brasileiros começa agora a entender a recarga pública, quem já vive com um elétrico cobra disponibilidade, velocidade e facilidade de uso.

Distrito Federal lidera as buscas

Na divisão regional, o Distrito Federal aparece na primeira posição entre os locais em que mais se buscou pelo termo “eletroposto”. Paraná e Santa Catarina completam o pódio, seguidos por São Paulo e Rio Grande do Sul.

Posição Estado
1 Distrito Federal
2 Paraná
3 Santa Catarina
4 São Paulo
5 Rio Grande do Sul
6 Espírito Santo
7 Rio Grande do Norte
8 Rio de Janeiro
9 Goiás
10 Paraíba
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No Distrito Federal, os eletrificados já contam com alguns incentivos importantes. Híbridos e elétricos têm isenção de IPVA dentro das regras locais, enquanto Brasília foi uma das primeiras capitais a receber eletropostos públicos. Com uma população de renda média mais alta, o mercado acaba sendo especialmente favorável à adoção desses carros. O estudo não relaciona diretamente esses fatores ao volume de buscas, mas o contexto ajuda a entender a liderança do DF.

O ranking também traz alguns resultados menos óbvios. Rio Grande do Norte aparece na sétima colocação e a Paraíba fecha o top 10, enquanto mercados automotivos maiores, como Minas Gerais, não aparecem entre os primeiros. No fim, os dados mostram que o interesse por recarga cresce ao mesmo tempo em que a rede fica maior, mais rápida e passa a ser cobrada por uma experiência de uso mais simples.

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