GAC quer transformar Brasil em polo de exportação de elétricos
Montadora chinesa planeja produção local e vendas para América Latina
A montadora chinesa GAC planeja transformar sua operação brasileira em um polo de exportação de veículos para a América Latina. Ainda pouco conhecida no país, a marca pretende iniciar a montagem local de seus carros a partir de 2026, conforme revelou Alex Zhou, CEO da GAC no Brasil, em entrevista à Bloomberg Línea.
Segundo o executivo, o Brasil tem papel estratégico na expansão da empresa na região. O objetivo é estabelecer uma operação sólida que, além de atender o mercado interno, também permita o envio de veículos para outros países latino-americanos.
Galeria: GAC - lançamento no Brasil
Zhou reconheceu que o primeiro grande desafio enfrentado pela empresa foi a adaptação cultural. “O desafio é a diferença de culturas, por isso precisamos mudar para tentar entender o brasileiro”, afirmou. Uma das primeiras ações nesse sentido foi a alteração da pronúncia da marca no país para “gêacê”, facilitando a identificação e aproximação com o público local.
Outro ponto destacado pelo executivo foi a complexidade tributária do Brasil, que impacta diretamente o planejamento estratégico. Zhou afirmou que, em pouco mais de um ano, a empresa enfrentou várias mudanças nas regras fiscais aplicadas ao setor automotivo.
GAC Aion Y
A GAC já figura entre as montadoras com maior volume global de vendas de veículos eletrificados, considerando elétricos puros e híbridos. Em 2024, foi uma das marcas mais vendidas do mundo nesse segmento, atrás apenas de empresas como Tesla e BYD.
Para o mercado brasileiro, o plano de lançamento inicial contempla cinco modelos: quatro elétricos (Aion Y, Aion V, Aion ES e Hyptec HT) e um híbrido (GS4 Hybrid), com preços variando de R$ 169.990 a R$ 349.990. Zhou destacou que a GAC não pretende atuar no segmento de luxo, mas sim oferecer veículos acessíveis e confiáveis, com foco em tecnologia, segurança e eficiência energética.
GAC Aion V
A operação comercial contará inicialmente com 83 pontos de venda: 33 concessionárias e 50 lojas em shoppings. Essas unidades serão operadas em parceria com 27 grupos do setor automotivo. A expectativa da empresa é ampliar a rede para 120 pontos até o final de 2025.
A meta divulgada pela montadora é comercializar 8 mil unidades até dezembro de 2025 e alcançar 29 mil carros vendidos em 2026. Além dos veículos eletrificados, a produção local poderá incluir modelos a combustão, ampliando o leque de produtos e a penetração de mercado.
GAC Aion Lighthouse Factory
Embora ainda não tenha definido o local da futura unidade produtiva, Zhou afirmou que o anúncio oficial será feito “o mais breve possível”. A produção local, segundo ele, é vista como uma demonstração do compromisso de longo prazo da empresa com o Brasil.
Outro diferencial será a oferta de estações de recarga rápida nos pontos de venda da marca. Essas estações também estarão disponíveis para usuários de outras marcas de carros elétricos, como forma de estimular a mobilidade elétrica no país.
A empresa também tomou medidas para garantir o pós-venda, como a criação de um estoque de peças antes mesmo do início das vendas. Segundo o executivo, essa foi uma solicitação dos parceiros comerciais, considerando a importância do suporte técnico para o consumidor brasileiro.
Fonte: Bloomberg Línea
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