Governadores também entram na briga contra corte de tarifas para a BYD
Após carta de VW, GM, Stellantis e Toyota a Lula, chefes de seis estados pedem que Camex adie benefício à BYD
Governadores de seis dos principais estados industriais do Brasil enviaram uma carta conjunta ao vice-presidente da República e presidente da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Geraldo Alckmin, solicitando o adiamento da decisão sobre a redução do imposto de importação para kits de veículos elétricos e híbridos nas modalidades SKD (semidesmontado) e CKD (completamente desmontado).
O grupo, composto pelos governadores de São Paulo (Tarcísio de Freitas), Rio de Janeiro (Cláudio Castro), Minas Gerais (Romeu Zema), Rio Grande do Sul (Eduardo Leite), Santa Catarina (Jorginho Mello) e Paraná (Ratinho Junior), alega que a medida pode representar um “desestímulo à industrialização local” e afetar negativamente toda a cadeia automotiva, especialmente em estados que concentram a produção nacional de veículos eletrificados.
Galeria: BYD inicia testes de produção no Brasil
A carta foi enviada às vésperas da reunião do Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Camex, marcada para esta quarta-feira (30). A pauta prevê discutir a possível redução das tarifas de importação — de 18% para 5% no caso dos elétricos e de 20% para 10% para os híbridos — atendendo a um pleito formalizado pela BYD em fevereiro deste ano.
A montadora chinesa, que iniciou produção experimental do Dolphin Mini em sua fábrica de Camaçari (BA), afirma que a medida é estratégica para viabilizar a operação nacional por meio da importação de kits SKD e CKD.
Contudo, a proposta encontra forte resistência. Além da carta dos governadores, presidentes de Volkswagen, Stellantis, Toyota e General Motors também enviaram ofício ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestando preocupação. Segundo as montadoras, a medida pode comprometer o “ciclo virtuoso de fortalecimento da indústria nacional”.
De acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, os seis estados signatários concentram boa parte da base produtiva automotiva nacional, reunindo montadoras, sistemistas e fornecedores que, juntos, empregam cerca de 50 mil pessoas. Os governadores pedem que a Camex abra um canal de diálogo com os estados diretamente afetados antes de tomar qualquer decisão.
“Entendemos que o tema em pauta exige reflexão cuidadosa e diálogo aprofundado com os entes federados que concentram a maior parte da base produtiva automotiva brasileira”, diz o grupo na carta.
A possível redução de tarifas para kits desmontados preocupa as montadoras tradicionais, que alegam impactos na competitividade da produção nacional, além do risco de demissões e retração de investimentos em pesquisa e desenvolvimento no Brasil. Do outro lado, estão as novas marcas chinesas, especialmente BYD e GWM, que seguem seu cronograma de montagem e futura produção nacional — focada em veículos eletrificados, mais eficientes e com maior conteúdo tecnológico do que os modelos oferecidos por suas concorrentes “nacionais”.
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