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Novo Dacia Spring 2027 vira irmão mais barato do Twingo para brigar com Dolphin e EX2

Agora pensado desde o começo como elétrico, hatch cresceu e ficou mais potente, mas manteve vacilos da geração anterior

Lançamento da Dacia Spring (2027) em Paris
Foto de: Motor1.com Deutschland

Conhecido por aqui como o primo europeu do Renault Kwid E-Tech, o Dacia Spring muda completamente de conceito em sua nova geração. O compacto deixa para trás a arquitetura derivada de um carro a combustão para compartilhar a plataforma do novo Renault Twingo, desenvolvida desde o início para veículos 100% elétricos. Com isso, também muda de missão e passa a ser um modelo de volume capaz de enfrentar o BYD Dolphin Mini na Europa.

Agora, depois de anos como um dos elétricos mais baratos e simples do mercado europeu, a Dacia resolveu dar vida nova ao seu modelo de entrada, transformando-o em um carro maior, mais moderno e também mais tecnológico, ainda que mantendo a proposta de baixo custo pela qual ficou famoso.

Agora (muito) maior

Batizada de RGEV Small, a nova arquitetura é a mesma usada pelo Renault Twingo E-Tech e permitiu à Dacia desenvolver o Spring em apenas 16 meses, aproveitando componentes e soluções já criados pelo Grupo Renault. O projeto passa a ter origem essencialmente europeia e a produção deixa a China para acontecer em Novo Mesto, na Eslovênia, embora parte do desenvolvimento continue sendo realizada no país asiático.

A mudança de base também fez o modelo crescer consideravelmente. O comprimento passa de 3,70 para 3,85 metros, enquanto a largura salta de 1,56 para 1,74 metro. São ainda 1,52 metro de altura e 2,49 metros de distância entre-eixos, deixando a carroceria bem menos estreita que a da geração anterior.

Lançamento da Dacia Spring (2027) em Paris
Foto de: Dacia

Visualmente, o Spring também abandona boa parte da antiga aparência de mini-SUV herdada do Kwid e passa a se aproximar muito mais de um hatch convencional. O parentesco com o Twingo aparece principalmente nas proporções e na arquitetura geral, enquanto a Dacia criou uma identidade própria com faróis estreitos ligados por uma faixa preta, grandes áreas de plástico sem pintura nos para-choques e rodas de aço de aro 15 ou 15'' sempre cobertas por calotas.

Lanzamiento del Dacia Spring (2027) en París

Dacia Spring 2027, el interior

Fotos de: Dacia
Dacia Spring 2027, el maletero

Dacia Spring 2027, el maletero

Foto de: Dacia

Interior mantém simplicidade

Por dentro, a evolução está principalmente no desenho, no espaço e na organização da cabine, não nos materiais. Plásticos rígidos dominam praticamente todo o interior, embora apareçam com diferentes cores, texturas e relevos para quebrar a aparência excessivamente simples. Também não há teto solar ou grandes exageros na iluminação ambiente, mantendo a filosofia racional e de baixo custo tradicional da Dacia.

A marca também evitou concentrar todas as funções em telas. Há três seletores giratórios para o ar-condicionado, botões dedicados no painel e comandos convencionais no volante, com a maior mudança ficando para a trocar de marchas na alavanca direita.

Lançamento da Dacia Spring (2027) em Paris
Foto de: Dacia

Nas versões superiores, o quadro de instrumentos digital tem 7 polegadas e a central multimídia chega a 10", enquanto a configuração de entrada substitui a tela central por um suporte para celular e um pequeno porta-objetos.

Mesmo maior e consideravelmente mais largo, o Spring não resolve todos os pontos fracos da geração anterior e continua homologado para apenas quatro ocupantes. O ganho de largura melhora o espaço disponível na cabine, enquanto o porta-malas passa a oferecer 337 litros e chega a 1.283 litros com os encostos traseiros rebatidos. Há ainda um compartimento sob o piso, mas não existe estepe.

Lançamento da Dacia Spring (2027) em Paris
Foto de: Dacia

A preocupação com custos aparece também nas portas traseiras, onde os vidros elétricos usados pelo Spring atual dão lugar a peças com abertura basculante, que apenas se projetam para fora. A solução representa uma perda de conveniência em relação à geração anterior e também ao Kwid E-Tech vendido no Brasil.

A Dacia oferece como opcional um compartimento dianteiro de 18 litros, útil principalmente para guardar os cabos de carregamento. O posicionamento abaixo do Twingo aparece ainda no banco traseiro fixo, enquanto o Renault conta com assento corrediço, além da ausência do sistema multimídia baseado no Google, loja de aplicativos e comandos por inteligência artificial.

Dacia Spring 2027

Dacia Spring 2027

Foto de: Dacia

Motor de 82 cv e bateria LFP

A gama fica ainda mais simples e passa a contar com uma única motorização. O motor dianteiro entrega 82 cv e trabalha com uma nova bateria LFP de 27,5 kWh formada por 90 células, conjunto que proporciona autonomia homologada de 250 km no ciclo WLTP.

Mesmo maior, o Spring continua relativamente leve para um elétrico, pesando 1.216 kg. A Dacia declara consumo de 12,7 kWh a cada 100 km, velocidade máxima de 130 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 12,1 segundos.

A recarga de série aceita até 6,6 kW em corrente alternada. Como opcional, o elétrico pode receber carregador de bordo de 11 kW e recarga rápida de até 50 kW em corrente contínua, levando a bateria de 15% a 80% em 28 minutos. Esse pacote acrescenta ainda a função V2L, que permite usar a energia da bateria para alimentar equipamentos externos com potência máxima de 3,7 kW.

BYD Dolphin Mini vs Geely EX2
Foto de: InsideEVs Brasil

De olho em EX2 e Dolphin, preço continua baixo

Mesmo com plataforma nova, produção europeia e uma evolução significativa em tamanho e conteúdo, a Dacia pretende preservar justamente a característica que tornou o Spring conhecido. A versão Expression custará menos de 18 mil euros, cerca de R$ 107 mil em conversão direta, antes dos incentivos oferecidos nos diferentes mercados europeus.

A versão Journey ficará abaixo dos 20 mil euros, aproximadamente R$ 119 mil, também sem considerar eventuais subsídios. Os valores mantêm o Spring na parte mais baixa do mercado de elétricos e colocam o modelo na disputa com chineses que começaram a ocupar esse espaço na Europa, entre eles BYD Dolphin Mini e Geely EX2.

As primeiras unidades chegam às concessionárias no início de 2027. O Spring também faz parte de uma ofensiva que prevê quatro modelos elétricos da Dacia até 2030, ampliando a atuação da marca nos segmentos A, B e C.

E por aqui?

No Brasil, a nova geração do Spring deixa ainda mais dúvidas sobre um eventual retorno do Kwid E-Tech. No início deste ano, a Renault interrompeu a importação do subcompacto elétrico apenas alguns meses depois de lançar sua última atualização visual e interna. Na ocasião, ele era o carro elétrico mais barato do país, tabelado em R$ 99.990.

O que você pensa sobre isso?

A Renault nunca relacionou oficialmente a saída do modelo a um concorrente específico, mas a chegada do Geely EX2 mudou bastante o jogo entre os elétricos de entrada. Com a parceria entre Renault e Geely no Brasil, o hatch chinês ganhou espaço rapidamente e hoje disputa as primeiras posições entre os elétricos mais vendidos do país, além de concorrer em preço com modelos a combustão.

O sucesso também levou a Geely a mudar seus planos e confirmar a produção nacional do EX2 no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), ainda em 2026. Com o novo Spring seguindo agora um caminho próprio na Europa sobre a base do Twingo E-Tech, diminuem ainda mais as chances de vermos novamente um Renault elétrico barato ocupando exatamente o mesmo espaço por aqui.

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