Já dirigimos: novo Jeep Compass Elétrico é mais ágil que o E-3008?
SUV elétrico usa a base STLA Medium, promete até 500 km de alcance e mira rivais como E-3008, Scenic e ID.4
A Jeep ainda vende elétricos em volumes quase simbólicos — e não por acaso: até agora, o único modelo totalmente elétrico da marca era o Avenger. Com o Compass Elétrico, chega finalmente a segunda linha 100% elétrica. A terceira geração do Compass estreia seu primeiro trem de força com emissão zero, e testamos a versão inicial com motor dianteiro de 157 kW (214 cv) e bateria de 74 kWh.
Assim como Peugeot E-3008/E-5008, Citroën e-C5 Aircross, Opel Grandland Electric e DS N°8, o Compass elétrico usa a plataforma STLA Medium. Mas a Jeep insiste no posicionamento: “We are different from the others”. A justificativa está, sobretudo, na promessa de maior capacidade off-road — elemento histórico da marca desde o Willys Jeep. Mas, olhando objetivamente, o que o Compass Elétrico entrega? Comecemos pelos dados:
Jeep Compass Elétrico – 74 kWh, 214 cv
|
Tração / Potência / Torque |
FWD, 157 kW /214 cv, 345 Nm |
|
0–100 km/h / Vel. máx. |
8,5 s / 180 km/h |
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Consumo WLTP |
17,5 kWh/100 km |
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Bateria útil |
74 kWh |
|
Autonomia WLTP |
500 km |
|
Carga AC/DC |
11 / 160 kW |
|
DC 20–80% |
31 min |
|
Porta-malas / Reboque |
550 L / 1.000 kg |
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Preço (Altitude) |
47.900 euros |
Medidas
|
Modelo |
Compr. |
Largura |
Altura |
Entre-eixos |
|
Peugeot E-3008 |
4,54 m |
1,90 m |
1,64 m |
2,74 m |
|
Jeep Compass Elétrico |
4,55 m |
1,93 m |
1,65 m |
2,80 m |
|
Citroën e-C5 Aircross |
4,65 m |
1,87 m |
1,67 m |
2,79 m |
|
Opel Grandland Electric |
4,65 m |
1,93 m |
1,67 m |
2,78–2,79 m |
|
Peugeot E-5008 |
4,79 m |
1,90 m |
1,69 m |
2,90 m |
|
DS N°8 |
4,83 m |
1,90 m |
1,57 m |
2,90 m |
Exterior
O Compass elétrico adota um visual bem mais quadrado que o E-3008 e o Grandland. A grade com sete fendas aparece, mesmo que os “slots” estejam fechados. Há proteções plásticas pretas nas laterais, e seis cores estão disponíveis. O amarelo-esverdeado das fotos é de série; azul, marrom, branco, prata e preto custam 890 euros cada. Também é possível pedir teto preto em configuração bicolor.
Entre os modelos da plataforma STLA Medium, o Compass está entre os menores — só o Peugeot E-3008 é mais curto, embora com perfil de SUV cupê. Ao todo, já são seis modelos nessa base, e o Lancia Gamma ainda será lançado. Todos podem ter motor dianteiro de 157 kW (214 cv) e baterias de 73 ou 74 kWh, mas as diferenças dimensionais são grandes.
No uso urbano, o que agradou foi a ótima visibilidade: um ponto positivo em tráfego intenso e manobras. Dá até para dispensar o sistema 360° (opcional de 790 euros).
Interior
O Compass elétrico traz dois displays horizontais, além de um head-up display opcional (1.790 euros). O touchscreen de 16 polegadas impressiona mais na largura do que na altura. A tela pode ser dividida em duas ou três áreas — o mapa à esquerda e, à direita, funções como massagem dos bancos ou fluxo de energia.
Para dirigir, ainda é preciso apertar o botão de partida e girar o seletor no console central. Os espelhos são ajustados por controles tradicionais na porta. A ergonomia é boa e intuitiva.
Mas há pequenos deslizes:
– o botão do pisca-alerta é difícil de localizar, especialmente em emergência;
– o puxador da porta do passageiro não serve para apoio lateral, obrigando o uso da alça no teto;
– os bancos, por outro lado, oferecem excelente apoio lateral, inclusive para as coxas.
Motor e bateria
O motor dianteiro de 157 kW já testado no E-3008 e no E-5008 pareceu mais vivo no Compass — ainda assim, nada que provoque um “uau”: 8,5 s no 0–100 km/h são bons mas não empolgam.
As borboletas atrás do volante controlam três níveis de regeneração, com boa diferença entre eles. Há também botão para one-pedal driving. Porém, após alternar os modos repetidamente, surgiu um aviso de falha no sistema de freio. Apesar de alarmante, o carro freou normalmente — mas o modo one-pedal parou de funcionar até que o veículo fosse religado. Em um teste curto, isso não deveria acontecer.
Outro ponto fraco foi o assistente de faixa, que fez o carro “quicar” entre as linhas em curvas leves de rodovia. Já o ACC só assumiu limites de velocidade quando confirmado no volante.
O consumo mostrado (~16 kWh/100 km) não é representativo, já que o trajeto final tinha declives. O dado oficial WLTP é 17,5 kWh/100 km.
O acerto de suspensão tenta equilibrar conforto off-road e firmeza em curva. O resultado é misto: em acelerações, frenagens e mudanças rápidas de direção, o Compass inclina bastante lateralmente. Em curvas mais fechadas, porém, se comporta bem. A direção no modo Auto do Selec-Terrain agradou.
Impressões Jeep Compass Electric 2026
O sistema de navegação selecionou bem os carregadores na rota Barcelona–Madri, mostrando detalhes de cada ponto. É possível ativar a pré-condicionamento da bateria manualmente — e provavelmente também de forma automática ao definir o carregador como destino.
Versões, preços e rivais
O Compass elétrico já está à venda na Europa apenas na versão testada (157 kW, 74 kWh). Chegarão depois:
– 170 kW com bateria de 97 kWh (Long Range): deve oferecer ~650 km WLTP
– AWD de 276 kW: mais potente que os equivalentes Peugeot/Opel (239 kW) e com bateria grande
A versão de entrada parte de 47.900 euros / R$ 296 mil (Altitude), com:
LED, rodas 19", espelhos elétricos e aquecidos, ar bizona, sensores de estacionamento, navegação, ACC e assistente de faixa.
A bomba de calor custa 990 euros; aquecimento de bancos, volante e para-brisa também sai por 990 euros.
A First Edition (50.400 euros) adiciona LED Matrix, rodas 20", grade iluminada, câmera traseira, carregamento por indução e porta-malas elétrica.
A tabela comparativa abaixo calcula quanto cada modelo carrega por minuto no 20–80% DC, usando WLTP e tempo informado pelo fabricante:
Como se vê, o Compass não é barato — e, por esse valor, rivais como Ford Explorer, ID.4, Elroq e até o Model Y entregam mais alcance e/ou carregamento bem mais rápido.
No evento, a Jeep confirmou ainda:
– Wagoneer S elétrico chega à Europa no fim de 2026;
– Recon estreia no fim de 2026;
– o Cherokee elétrico não virá à Europa, por ser próximo demais do Compass.
Conclusão
O novo Jeep Compass Elétrico agradou. Mas é “realmente diferente dos outros”? Em termos técnicos, não muito: os números são bem próximos aos dos demais STLA Medium. Porém, a combinação de motor de 214 cv e bateria de 74 kWh pareceu mais viva aqui do que no Peugeot E-3008. O acerto da suspensão — mais macio — traz prós e contras, oscilando entre conforto e rolagem excessiva.
A ergonomia é boa, o espaço traseiro atende bem e o interior é funcional. Mas na faixa de 47.900 euros (R$ 296 mil), o Compass encontra rivais mais eficientes e baratos. Com esse orçamento, seria difícil não considerar um Skoda Elroq, Ford Explorer, VW ID.4 ou até o Tesla Model Y de 39.990 euros (R$ 214 mil).
Após a estreia na Europa, ainda não há previsão oficial de chegada ao Brasil do novo Compass, algo que deve ser detalhado mais adiante, lembrando que o Compass atual é fabricado no complexo de Goiana (PE) em versões flex.

Fonte: Preisliste (PDF)
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