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Além de impostos, Anfavea quer limitar cotas de importações para elétricos e híbridos

Associação quer uma cota linear livre de impostos de, em média, 4.800 unidades por ano para cada fabricante

BYD Dolphin Mini (BR)
Nicolas Tavares Nicolas Tavares

No final de junho, a Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) enviou uma carta para o governo pedindo que o cronograma linear de aumento do imposto de importação para carros elétricos e híbridos seja descartado e que a alíquota seja elevada imediatamente para 35%. O pedido não envolvia apenas o imposto, como também a adoção de uma cota de importação por empresa, com um “volume médio de 4.800 veículos eletrificados por ano.”

As informações são do site AutoIndústria, que acessou o conteúdo da carta através de uma fonte ligada a Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O pedido da Anfavea é que o sistema de cotas para a importação de carros elétricos e híbridos seja alterado, abandonando a regra atual que define que a cota seja proporcionalmente maior para quem importou e emplacou mais veículos eletrificados no Brasil entre janeiro e novembro de 2023. As cotas deverão crescer para o ano que vem por conta do aumento nas vendas deste ano, e é isso que a Anfavea quer barrar.

O argumento da associação das fabricantes é que as vendas dos carros importados chineses cresceram 500% este ano e isto é uma ameaça ao investimento das empresas do setor que já produzem no Brasil, que anunciaram R$ 130 bilhões de aporte. É uma ameaça comum da Anfavea, que sempre afirma que os investimentos podem ser revistos ou até cancelados, afetando empregos e a economia nacional.

“Nesse sentido, solicitamos o aumento imediato de Imposto de Importação a 35% para todos os veículos, com estabelecimento simultâneo de cota de importação linear por empresa, no volume médio de 4.800 veículos/ano, e que detenham ato de registro de Compromisso em conformidade com o Programa Mover”, diz a Anfavea no documento, assinado por Márcio de Lima Leite, presidente da associação, e por Igor Calvet, diretor executivo.

As vendas de carros eletrificados no 1º semestre de 2024 cresceram 724% em comparação ao ano anterior. A BYD tem 41,05% de participação entre elétricos e híbridos, seguida pela GWM com 16,05%. Das fabricantes com produção nacional, a única com um resultado mais expressivo é a Toyota, que tem 13,29% do mercado. O BYD Dolphin Mini chegou a emplacar mais do que alguns hatchbacks tradicionais como Peugeot 208 e Citroën C3 durante a entrega das unidades reservadas na pré-venda, enquanto o GWM Haval H6 está constantemente na 3ª posição entre os SUVs médios.

GMW Haval H6 PHEV19 2025

A cota de 4.800 unidades afetará diretamente a BYD e GWM, que emplacaram 32.561 e 12.731 unidades no 1º semestre, respectivamente. A Volvo também acabaria sofrendo com esta mudança, pois vendeu 4.119 veículos na primeira metade de 2024. A Caoa Chery, com 5.129 carros eletrificados vendidos entre janeiro e junho, seria outra a ultrapassar o limite, porém a empresa está preparando-se para produzir o Tiggo 8 PHEV em Anápolis (GO), o que reduziria o volume consideravelmente.

O que você pensa sobre isso?

A situação é uma repetição do que aconteceu em 2011, quando o governo anunciou o chamado “Super IPI” de 30% para carros importados, atendendo um pedido das fabricantes nacionais para barrar a “invasão chinesa”, na época simbolizada por JAC Motors, Chery e Lifan – e que acabou afetando outras marcas, como Kia. A medida protecionista derrubou as vendas de importados na época e acabou com os planos da Kia e JAC de erguer fábricas no país, por terem não terem mais um volume de vendas grande o suficiente para custear o investimento.

Na última edição do Motor1.com Podcast, abordamos como a Anfavea e, principalmente, a Stellantis estão constantemente trabalhando para barrar a chegada de tecnologias inovadoras que estão sendo trazidas pelas chinesas - e que não possuem equivalente de produção nacional - enquanto as marcas aqui instaladas seguem um ritmo lento de inovação.

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