Tesla fica à frente da BYD em impacto ambiental, segundo ranking global
Relatório ICCT 2024 destaca avanço chinês e desafios da transição elétrica
O novo relatório anual do ICCT (Conselho Internacional de Transporte Limpo) avaliou o desempenho das 21 principais montadoras do mundo no avanço da mobilidade elétrica. O estudo leva em conta dados de 2024 e analisa 10 indicadores técnicos e estratégicos, como consumo energético, autonomia, variedade de modelos e metas de emissão zero, nos seis maiores mercados globais: China, Europa, Estados Unidos, Índia, Japão e Coreia do Sul.
Apesar de a BYD ter vendido mais carros elétricos no ano passado, a Tesla manteve a liderança no ranking geral do ICCT, que avalia não apenas volume de vendas, mas também a eficiência da frota e o impacto ambiental das operações. A fabricante americana atingiu 100 pontos (de um total possível de 100), enquanto a BYD caiu de 76 para 75.
Em 2024, a Tesla manteve seu desempenho anterior, mesmo com vendas estagnadas em relação a 2023. Já a BYD aumentou suas vendas de modelos 100% elétricos em 25% e de híbridos plug-in e elétricos combinados em 47%. Ainda assim, a empresa chinesa perdeu pontos devido à eficiência energética menor e à autonomia mais limitada de seus veículos, segundo o relatório.
Na comparação entre os fabricantes globais, o estudo também destaca que as montadoras chinesas continuam ganhando espaço. Tesla e BYD ocupam as duas primeiras posições, seguidas por um conjunto crescente de marcas da China como SAIC, Geely, Changan, Chery e Great Wall Motor (GWM). A análise sugere que os fabricantes europeus estão tendo dificuldades para acompanhar o ritmo asiático.
BYD Dolphin Surf
A China segue como o maior mercado global de veículos elétricos, mas enfrenta desafios: a concorrência intensa forçou uma guerra de preços que ameaça a lucratividade de algumas marcas. Isso pode levar até a falências, alerta o ICCT.
Participação nas Vendas por Motorização e Pontuação ICCT 2024
|
Montadora |
ZEV (%) |
PHEV (%) |
ICEV (%) |
Pontuação ICCT |
Variação 24/23 |
|
Tesla |
100% |
— |
0% |
100 |
0 |
|
BYD |
47% |
28% |
25% |
75 |
-1 |
|
SAIC |
34% |
8% |
58% |
— |
+7 |
|
Geely |
27% |
15% |
58% |
— |
+13 |
|
Chang’an |
26% |
8% |
66% |
— |
+13 |
|
Chery |
19% |
8% |
73% |
— |
+13 |
|
Great Wall |
19% |
7% |
74% |
— |
+10 |
|
BMW |
14% |
5% |
81% |
— |
+2 |
|
Mercedes-Benz |
10% |
4% |
86% |
— |
-1 |
|
VW |
9% |
5% |
86% |
— |
-1 |
|
Tata Motors |
9% |
— |
91% |
— |
+2 |
|
Renault |
9% |
— |
91% |
— |
-1 |
|
Stellantis |
8% |
— |
92% |
— |
-1 |
|
Hyundai-Kia |
7% |
— |
93% |
— |
0 |
|
GM |
6% |
— |
94% |
— |
+2 |
|
Ford |
5% |
— |
95% |
— |
-1 |
|
Nissan |
4% |
— |
96% |
— |
0 |
|
Toyota |
2% |
— |
98% |
— |
+1 |
|
Honda |
2% |
— |
98% |
— |
0 |
|
Mazda |
2% |
— |
98% |
— |
0 |
|
Suzuki |
0% |
— |
100% |
— |
0 |
ZEV: Veículos 100% elétricos a bateria ou célula de combustível
PHEV: Híbridos plug-in (participação ponderada pelo uso elétrico)
ICEV: Veículos com motor a combustão interna
Entre os fabricantes tradicionais, Mercedes-Benz, Volkswagen, Renault, Stellantis e Nissan perderam um ponto no ranking em comparação com 2023. Por outro lado, marcas como General Motors, Ford, Honda e BMW melhoraram. Já as montadoras japonesas e sul-coreanas ainda têm desempenho limitado: apenas Honda e Nissan mostram progresso significativo. A Honda, por exemplo, lançou seu primeiro elétrico nos EUA, o Prologue, com bons resultados nos indicadores de eficiência. A Nissan, por sua vez, atualizou sua meta de emissões zero para que 40% das vendas globais sejam de modelos ZEV (zero emissão) até 2030.
Honda Prologue 2024
No mercado indiano, a Tata Motors se destacou por ter saído da categoria “em atraso” para “em transição”. A marca lançou novos modelos elétricos em 2024 e intensificou ações para reciclagem e reuso de baterias, junto com sua subsidiária Jaguar Land Rover.
O relatório do ICCT também mostra que os veículos elétricos e híbridos plug-in representaram cerca de 20% das vendas globais de carros em 2024 — o maior percentual registrado até hoje. A participação dos elétricos cresceu 27% em relação a 2023. No entanto, a maioria das montadoras não aumentou significativamente seus investimentos em eletrificação no último ano. Algumas, como Ford, Tata, Dacia, MINI e Volvo, inclusive revisaram ou adiaram suas metas. Apenas Changan e Hyundai-Kia elevaram suas metas, mas de forma modesta.
Por fim, o estudo conclui que, apesar dos avanços no mercado, a transição global para veículos elétricos enfrenta obstáculos relevantes, como desaceleração nos investimentos e competição acirrada.
Para referência, o preço médio de um modelo elétrico vendido pela Tesla em mercados como os EUA gira em torno de US$ 39.000 (aproximadamente R$ 213.720), enquanto modelos populares da BYD como o Dolphin partem de cerca de US$ 15.000 (cerca de R$ 82.200), dependendo do mercado - no Brasil custa R$ 125 mil.
Fonte: ICCT
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Tesla abandona range extender e aposta em bateria dupla mais avançada
Geely promete baterias de estado sólido de 500 Wh/kg: 1.000 km a partir de 2027?
Alemanha supera EUA na produção de elétricos e expõe atraso industrial
Novo BMW iX3 encara 800 km para colocar sua autonomia à prova
Como o LFP virou padrão global das baterias de carros elétricos em 2025
GWM Ora 5 já ficou quase R$ 5 mil mais caro desde o lançamento
BYD deve ultrapassar as vendas da Tesla globalmente