Estudo mostra que elétricos poluem menos — até nas pastilhas de freio
Além de não emitirem poluentes pelo escapamento, EVs também reduzem a poluição gerada pelos freios
É bem sabido que carros elétricos não emitem poluentes pelo escapamento, o que já os torna muito mais benéficos à qualidade do ar, especialmente nos centros urbanos. Mas há outra fonte importante de poluição onde os EVs levam ainda mais vantagem — e que raramente é comentada: o pó gerado pelo desgaste dos freios.
Embora os elétricos usem sistemas de freio por fricção semelhantes aos dos carros a combustão, eles dependem muito mais da frenagem regenerativa para reduzir a velocidade. Em modelos com função de condução com um pedal (“one-pedal driving”), muitas vezes basta tirar o pé do acelerador para o carro parar, sem sequer encostar no pedal de freio em situações normais.
Claro que, se um cachorro atravessar a rua correndo, você ainda vai precisar frear. Mas, na maioria dos casos, a desaceleração regenerativa já é suficiente. Além de poupar as pastilhas de freio, essa função ainda recarrega a bateria, oferecendo um ganho extra de autonomia — praticamente de graça.
E limitar a emissão de pó de freio é mais importante do que parece. Essas partículas microscópicas se dispersam no ar e acabam nos pulmões das pessoas. As pastilhas modernas não têm mais amianto, conhecido por ser cancerígeno, mas ainda são ricas em cobre e outros metais que causam sérios danos à saúde.
Um estudo publicado este ano na revista Particle and Fibre Toxicology revelou que o pó de freio pode ser ainda mais nocivo do que a fuligem do diesel. Os pesquisadores observaram que partículas de freios com alto teor de cobre causam mais estresse oxidativo, inflamação e ativação de processos ligados a doenças como câncer e fibrose pulmonar, do que as emitidas por freios metálicos comuns — e até mesmo do que as partículas de motores a diesel modernos.
Vale lembrar que motores a diesel estão equipados com filtros de partículas há quase 20 anos, enquanto não há nenhum controle específico sobre a composição das pastilhas de freio. Ainda assim, estados como Washington e Califórnia aprovaram leis para reduzir a quantidade de cobre nelas.
Nos EVs, as pastilhas duram muito mais tempo. A empresa britânica RAC, por exemplo, citou um serviço de táxi com Nissan Leaf cujas pastilhas duraram entre 130 mil e 160 mil quilômetros antes de precisarem ser trocadas — uma durabilidade muito superior à de um carro convencional.
Mas quanto menos pó de freio um carro elétrico realmente emite? Um estudo europeu recente, financiado pela União Europeia e publicado pela EIT Urban Mobility, revelou que EVs emitem até 83% menos partículas de freio do que um carro a gasolina.
Esse percentual cai conforme o nível de eletrificação diminui:
- Híbridos plug-in emitem 66% menos;
- Híbridos convencionais reduzem entre 10% e 48%, dependendo da potência do motor elétrico e da capacidade de regeneração.
Para elétricos puros, a redução de 83% é significativa, e já há fabricantes pensando em eliminar de vez essas emissões. A Mercedes-Benz, por exemplo, apresentou uma tecnologia de freios embutidos no sistema de tração elétrica, que não produzem partículas durante o uso. A novidade deve chegar aos modelos da próxima geração (não a atual).
A Volkswagen seguiu outro caminho: nos modelos da plataforma MEB — mesmo os com mais de 300 cv — a marca usa freios a tambor no eixo traseiro. Embora os tambores sejam menos eficientes na dissipação de calor e não sirvam para aplicações esportivas, eles são completamente fechados. Como a maior parte da frenagem acontece nas rodas dianteiras, a VW acredita que os freios traseiros a tambor podem durar a vida útil do veículo sem necessidade de manutenção.
Por outro lado, EVs têm uma desvantagem: são mais pesados e têm torque instantâneo, o que acelera o desgaste dos pneus — uma fonte adicional de emissões. Ainda assim, apesar de manchetes alarmistas, não há dados definitivos que provem que o desgaste de pneus em EVs seja muito maior que nos carros a combustão.
Se o seu carro elétrico permite escolher o nível de regeneração e oferece condução com um pedal, vale a pena ativar essas funções. Além de preservar as pastilhas de freio por muito mais tempo, você ainda contribui para deixar o ar da sua cidade com menos partículas nocivas — que podem causar uma série de problemas de saúde.
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