GM investe em baterias de estado sólido e sódio para avançar nos elétricos
Montadora testa sete químicas diferentes de bateria em centro próprio nos EUA
A GM está aprofundando suas pesquisas em tecnologias de bateria de nova geração, com foco especial em células de estado sólido, baterias de íons de sódio e ânodos de silício. Esses desenvolvimentos fazem parte de uma estratégia para enfrentar os principais desafios dos veículos elétricos: autonomia, velocidade de recarga e custo.
Boa parte dos avanços vem do Wallace Battery Cell Innovation Center, laboratório da GM localizado em Warren, Michigan. Ali, a montadora desenvolve e testa internamente novas químicas e formatos de célula. Segundo Kushal Narayanaswamy, diretor de engenharia avançada de células da GM, a equipe está atualmente trabalhando com sete combinações diferentes de ânodos e cátodos, incluindo aplicações com alto teor de níquel e a química LMR (lítio-manganês-rica).
“Nossa equipe de P&D segue ativa na exploração de tecnologias de estado sólido – seja do tipo totalmente sólido, com base em sulfetos, óxidos ou cerâmicas”, disse Narayanaswamy ao InsideEVs. “Também estamos estudando a bateria de íons de sódio”, completou.
A bateria é o componente mais caro e mais crítico de um carro elétrico. Seu desempenho afeta diretamente a autonomia e o tempo de recarga. Ainda que os preços estejam caindo, segundo a Cox Automotive, em média um elétrico ainda custa cerca de US$ 9.600 - R$ 52 mil a mais que um modelo a combustão nos EUA (dados de maio de 2025).
A GM já é a maior produtora de células para veículos elétricos na América do Norte, ao lado da LG Energy Solution, superando inclusive a Tesla. Mas quer ir além. O objetivo com as novas químicas é reduzir os custos por célula, aumentar a densidade energética e acelerar o carregamento, além de tornar as baterias mais seguras.
O trabalho no centro Wallace é fundamental. Com estrutura para prototipagem e testes em grande escala, a GM consegue desenvolver internamente células prismáticas e de grande formato, o que lhe dá mais flexibilidade e controle desde a seleção de materiais até a integração no veículo. Isso representa uma mudança de paradigma em relação ao modelo tradicional, no qual as montadoras compravam baterias “prontas” dos fornecedores.
Um exemplo é a célula LMR, na qual a GM testou 300 variantes internamente antes de envolver a parceira LG na produção em série. Esse modelo, com promessa de mais de 640 km de alcance e peso reduzido, deve estrear em uma picape elétrica a partir de 2028.
Fábrica de baterias da Ultium Cells LLC em Warren, Ohio
Sódio e silício: alternativas promissoras
A GM também estuda baterias de íons de sódio, que estão ganhando espaço, sobretudo na China, por dispensarem metais raros, funcionarem melhor em baixas temperaturas e terem custo bem inferior ao lítio (cerca de US$ 150 por tonelada, contra US$ 5.000 do lítio). Em 2024, o JAC Yiwei 3 (e-JS3) se tornou o primeiro carro de produção a usar esse tipo de bateria.
Narayanaswamy afirmou que a GM já domina a tecnologia, mas que será necessário desenvolver a cadeia de suprimentos e definir a aplicação ideal – como em veículos de menor alcance ou em duas rodas.
Do outro lado, estão as baterias de estado sólido, vistas como o “Santo Graal” da eletrificação por oferecerem maior densidade energética, carregamento mais rápido e segurança superior. Elas substituem o eletrólito líquido tradicional por uma substância sólida – à base de polímero, sulfeto ou óxido –, reduzindo drasticamente o risco de incêndio.
No entanto, a produção em larga escala ainda é um desafio. Toyota, BMW e Mercedes-Benz já testam protótipos com essa tecnologia, e a Stellantis deve testar uma célula sólida no Dodge Charger Daytona em 2026. Na China, alguns modelos já usam versões semissólidas.
Galeria: BMW i7 Solid-State Battery Prototype
Silício nos ânodos: mais alcance e carga rápida
Outra frente de pesquisa são os ânodos com maior teor de silício. Atualmente, a maioria dos ânodos em baterias de lítio usa grafite, mas o silício pode armazenar mais íons de lítio, o que aumenta a autonomia e reduz o tempo de carga. A GM já está testando células com silício em escala automotiva no centro Wallace.
Mesmo com incertezas políticas nos Estados Unidos — como a tentativa do governo Trump de revogar incentivos à mobilidade elétrica — a GM afirma que vai manter seus esforços em P&D de baterias.
“Independentemente do cenário político, nossa estratégia de inovação em baterias segue firme”, conclui Narayanaswamy.
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