GM reforça foco nos carros elétricos mesmo com liderança da Tesla
Montadora diz ter vantagem com linha mista e visa lucro com elétricos apesar da demanda instável
Mesmo com a liderança absoluta da Tesla no mercado de carros elétricos dos Estados Unidos, a General Motors reforçou nesta semana que mantém os EVs como seu foco estratégico de longo prazo. A declaração foi feita durante a divulgação dos resultados do segundo trimestre, em meio a um cenário de demanda volátil e incertezas regulatórias.
Segundo o CFO da GM, Paul Jacobson, a companhia acredita ter uma “vantagem natural” ao contar com uma linha diversificada que inclui veículos a combustão e elétricos, o que confere maior flexibilidade diante das oscilações do mercado. “Todo mundo fala da simplicidade e escala da Tesla. Eles têm seus méritos. Mas isso também os deixa expostos à volatilidade da demanda”, afirmou o executivo.
Galeria: Avaliação Chevrolet Equinox EV (BR)
Hoje, a GM oferece 12 modelos elétricos, mais que o dobro da linha da Tesla, que atualmente conta com cinco produtos. Ainda assim, os números mostram a ampla liderança da empresa de Elon Musk: foram cerca de 384 mil veículos entregues no trimestre, contra 46.300 da GM. Apesar disso, o volume da GM representa mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2024 e sinaliza uma curva de crescimento consistente.
Fim de incentivos pode mudar o jogo
A perspectiva, no entanto, é de novos desafios. O governo de Donald Trump anunciou que os créditos fiscais de até US$ 7.500 para elétricos novos e US$ 4.000 para usados devem acabar a partir de 30 de setembro. A consultoria Cox Automotive já registrou queda de 6,3% nas vendas de EVs no segundo trimestre em relação ao ano passado, mas destaca um aumento de 4,9% frente ao primeiro trimestre – que pode sinalizar uma corrida por parte dos consumidores antes do fim dos incentivos.
A analista Stephanie Valdez prevê um terceiro trimestre com vendas recordes, mas projeta uma retração significativa no final do ano, quando o mercado deverá se ajustar à nova realidade fiscal.
Foco no futuro, com fábricas flexíveis
Mesmo diante das incertezas, a CEO Mary Barra garantiu que o norte da GM continua sendo a produção lucrativa de elétricos. “Sabemos que o crescimento tem sido mais lento que o esperado, mas seguimos comprometidos com essa transição.”
A estratégia inclui investimentos em fábricas flexíveis, como as de Spring Hill (Tennessee) e Fairfax (Kansas), capazes de alternar entre a produção de modelos a combustão e elétricos, conforme a demanda. Só em junho, a GM anunciou US$ 4 bilhões para modernizar diversas plantas nos EUA, mantendo a produção local como pilar da estratégia.
Jacobson também destacou o desempenho da Chevrolet, que já ocupa o segundo lugar entre as marcas de elétricos nos EUA, e da Cadillac, que figura em quinto.
Brasil no radar
No Brasil, a GM ainda tem presença tímida no segmento de elétricos, marcando presença com os SUVs Blazer EV e Equinox EV. No entanto, a nova estratégia é abrir novas frentes com modelos elétricos mais acessíveis vindos de marcas parceiras da China, como o Chevrolet Spark EUV (R$ 159.990) e o Captiva EV, a ser lançado nas próximas semanas.
RECOMENDADO PARA VOCÊ
GM tem rival de Dolphin e EX2, mas fica fora da disputa no Brasil
Nova bateria da BYD é brilhante, mas pode tornar reparos um problema
Captiva EV mostra nova estratégia da Chevrolet para elétricos no Brasil
Changan avança em bateria sólida com até 2.000 km de autonomia
GM abandona novo Bolt para retomar produção de SUV a combustão nos EUA
Geely EX2 terá novidades e até 460 km de alcance na China
GM desacelera planos, mas CEO insiste: “o futuro é 100% elétrico”