Brasil pode vender quase 300 mil carros elétricos e híbridos em 2026
Ritmo de vendas no início do ano indica mercado acima da projeção da ABVE
O mercado brasileiro de veículos eletrificados começou 2026 em ritmo acelerado e pode terminar o ano em um novo patamar histórico. A previsão oficial da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) aponta para mais de 280 mil emplacamentos ao longo do ano, mas o desempenho registrado nos primeiros meses indica que o volume total pode se aproximar da marca de 300 mil unidades.
Os dados mais recentes reforçam essa tendência. Em fevereiro, foram 24.885 veículos eletrificados leves emplacados no Brasil, número 92% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando o mercado somou 12.988 unidades. Na comparação com janeiro deste ano, que havia registrado 23.706 emplacamentos, o crescimento foi de cerca de 5%.
Com isso, a participação de mercado dos eletrificados atingiu 14% das vendas totais de veículos leves, que somaram 176.797 unidades em fevereiro. Um ano antes, essa fatia era de apenas 7%. Nos meses mais recentes, o avanço foi consistente. O market share chegou a 9% em novembro de 2025, subiu para 13% em dezembro, alcançou 15% em janeiro de 2026 e agora ficou em 14%.
No acumulado do primeiro bimestre, o mercado brasileiro registrou 48.591 veículos eletrificados vendidos, quase o dobro do volume registrado no mesmo período do ano passado, quando foram comercializadas 25.544 unidades. O resultado reforça a expectativa de que 2026 se consolide como o melhor ano da história da eletromobilidade no país.
Galeria: BYD Atto 8 - lançamento (BR)
Para o presidente da entidade, Ricardo Bastos, o desempenho recente confirma a mudança estrutural em curso no setor automotivo. Segundo ele, a eletrificação vem ganhando espaço de forma consistente nas decisões de compra dos consumidores brasileiros.
Entre as diferentes tecnologias disponíveis, os veículos totalmente elétricos (BEV) e os híbridos flex não plug-in (HEV flex) foram os que apresentaram maior crescimento recente. Em fevereiro, os modelos 100% elétricos representaram 35% das vendas de eletrificados, com 8.703 unidades comercializadas. Em janeiro, haviam sido 8.250.
Geely EX2 no Salão do Automóvel
Os híbridos flex também avançaram. Foram 3.960 unidades vendidas em fevereiro, crescimento de 15% em relação às 3.457 registradas no mês anterior.
Parte desse avanço está relacionada aos incentivos fiscais estaduais. Benefícios tributários em estados como São Paulo, Distrito Federal e Rio Grande do Sul têm contribuído para ampliar a competitividade de veículos eletrificados, reduzindo custos de propriedade e estimulando a adoção dessas tecnologias.
Leapmotor no Salão do Automóvel
Outro fator que pode impulsionar o mercado ao longo de 2026 é a onda de lançamentos prevista para o país. Montadoras chinesas continuam ampliando rapidamente sua presença no Brasil, enquanto fabricantes tradicionais aceleram a transição para modelos híbridos em suas linhas.
Ao mesmo tempo, a indústria começa a estruturar uma base produtiva local para acompanhar o avanço da demanda. A BYD já iniciou a montagem de veículos em sua fábrica de Camaçari, enquanto a GWM também produz híbridos no país desde o ano passado na planta de Iracemápolis. A BYD, inclusive, apresentou uma meta ambiciosa de 250 mil veículos vendidos no Brasil em 2026, número que sozinho já se aproxima da projeção da Associação Brasileira do Veículo Elétrico para o mercado total.
GWM lança novo Haval H6 2026
Já a GWM confirmou planos de expansão industrial com uma segunda fábrica prevista para o Espírito Santo a partir de 2027, enquanto a Geely confirmou o início de produção local nos próximos meses, movimento que reforça a expectativa de crescimento da produção nacional de veículos eletrificados nos próximos anos.
300 mil eletrificados
Se o ritmo de expansão observado no início de 2026 se mantiver ao longo do ano, o mercado brasileiro poderá não apenas superar com folga o recorde de 224 mil eletrificados vendidos em 2025, mas também se aproximar da marca simbólica de 300 mil veículos.
O cenário indica que a eletrificação caminha rapidamente para se consolidar como o segmento mais dinâmico da indústria automotiva nacional. Isso não significa, porém, que o mercado total de veículos vá crescer no mesmo ritmo. Na prática, os eletrificados tendem a substituir gradualmente os modelos tradicionais exclusivamente a combustão, à medida que novas ofertas chegam ao mercado e as montadoras aceleram sua estratégia de eletrificação.
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